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quinta-feira, 23 de maio de 2013

A lagarta que sonhava voar.

Era uma vez uma lagarta chamada Josefina. Todos os dias, Fina (como lhe chamavam) rastejava por horas a fio. A sua vida de lagarta era tão chata, mas tão chata, que Fina por vezes sonhava acordada. Cansada de rastejar, procurava um ponto de apoio numa folha de árvore ou de outra planta qualquer, fechava os olhos e adormecia literalmente. A cada dia que passava, as outras lagartas começaram a ficar preocupadas.

-Fina, acorda! O que estás aí a fazer?
Ela nem pestanejava. Continuava a sonhar.
-Fina estás doente?

As amigas não sabiam o que fazer. Josefina não costumava ser assim. Tinha prazer em rastejar mais rápido e por isso chegava sempre primeiro que as outras às migalhas de pão. Por isso era estranho que agora estivesse alheada do mundo que a rodeava.
Um certo dia, Fina decidiu que as coisas não podiam continuar assim. Rastejar fazia parte da sua vida desde sempre. Mas já não era isso que ela queria. Josefina tinha um sonho. Sonhava voar. Então, começou a desinteressar-se pela sua vida rastejante e todos os dias imaginava como seria bom poder voar. Todos pensavam que ela estava doente. Mas não. Ela só não podia explicar o que sentia, porque ninguém a entendia. Todos achavam que a vida mais digna de uma lagarta era somente rastejar em busca de comida. Então calou-se ao ponto de não falar a mais ninguém sobre o assunto. Limitava-se a sonhar sempre que podia para superar o tédio que sentia cada vez que rastejava.
A certa altura, num frio e demorado Inverno, Fina fechou-se no seu casulo e ninguém mais a viu. As amigas pensaram logo que morrera e choraram tanto que as lágrimas ao fim de algum tempo formaram um lago, depois um rio, depois um longo mar e muitas não resistiram às inundações, não passando desse mesmo Inverno. Fina, porém, continuava fechada no seu casulo a sonhar que um dia poderia voar. E cada dia que passava, reforçava a sua ideia, treinando todos os dias, sozinha no seu casulo. 
Quando o Inverno terminou, e os primeiros raios de sol raiaram no horizonte, e a primeira flor apareceu no jardim, Fina saiu finalmente do casulo. Mas já não era uma simples lagarta rastejante. Tanto treinou dentro do casulo, que acabou por formar uma espécie de asas. A principio teve medo. Mas depois lembrou-se do seu sonho. 
« O que é isto? Como é que...como é que?» - Pensava perplexa a pequena e deslumbrante Fina enquanto saia do seu casulo batendo delicadamente as suas asas. 
-Estou a voar! Eu estou a voar! Olhem para mim! O meu sonho era real! Eu posso voar!
E de repente reparou que algumas amigas que tinham sobrevivido ao Inverno também voavam com lindas asas coloridas. Assim, Josefina aprendeu a lição. Todos nós podemos voar, se assim o desejarmos. Basta querermos e lutarmos por isso.

Fim

Queridos leitores e amigos da Rainha. Hoje estou numa confusão de sentimentos que não sei o que decidir. A única coisa que me motiva nesta vida é a Escrita. De resto, sinto-me uma lagarta. Uma mera lagarta rastejante que sonha um dia poder voar. 

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

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