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domingo, 11 de agosto de 2019

Alma de vidro

Sou forte, 
mas feita de vidro.
Em alguns momentos, invencível.
noutros, perecível.

Alma de vidro
esta que tenho.
Se me deixo cair
parte-se-me o coração.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Deprimida

Tenho andado deprimida
mas não posso falar.
Porque não quero alarmar
minha família querida.

Hei-de, pois, ficar bem.
A vida é feita de percalços.
É por isso que temos
tantos altos e baixos.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

O sonho

O sonho adormeceu.
Não sei por quanto tempo estará assim.
Mas quando o sonho acordar
certamente voltará para me lembrar
de nunca mais me esquecer de sonhar.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

sábado, 3 de agosto de 2019

Silêncio

É no silêncio que eu me percebo melhor.
Sem aquelas vozes prontas com certezas no peito.
Por vezes sinto-me melhor no meu leito
ou sozinha por aí algures.

É no silêncio que reinicio os circuitos.
Acho importante livrar-me dos tumultos
para poder concentrar-me no mais importante
e para ler os livros que tenho na estante.

É tão importante ler. É importante, o Saber.
É importante ter momentos a sós comigo.
No presente, o melhor que me pode acontecer.
é ter a minha casa como porto de abrigo.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Eremita

Guardo para mim pouco ou quase nada.
Vou eliminando os excessos da minha vida
à medida que me torno cada vez mais eremita.
Não é que a felicidade assim, seja garantida
mas é o melhor que eu faço, acredita.
Ou não me chamasse eu, Jovita.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Lugar ermo

Lugar ermo
que se ergue adiante
que não sente o levante
da lua, nem o seu termo.

Lugar deserto
cheio de insecto
e de bicho incerto
do qual ninguém quer estar por perto.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Mar



Confessei ao mar o que sentia.
Afoito, abraçou-me em sua orla
que rapidamente se desfez em espuma.
E no meio da bruma, repetiu-se a história.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

domingo, 30 de junho de 2019

Vida perdida e achada

Vida,
perdida,
suprimida.
Partidas e chegadas.
Encontros e desencontros
Vidas passadas, presentes, futuras...
Oceano de emoções, más e boas.
Mentes abertas ou fechadas.
Pessoas que sofrem caladas
ou que sorriem maravilhadas.

Vida,
achada,
recuperada,
ou manchada
pelas partidas dos outros,
ou pelas próprias mudanças.
Muitos há que perdem as esperanças.
Mas ninguém sabe quando nestas andanças
encontra o trevo de quatro folhas que procura.
Quando o encontrar, a vida, finalmente, terá cura.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

sábado, 29 de junho de 2019

Vida normal - reflexão.

O que há de extraordinário
numa vida completamente normal?
Talvez o obituário dos nossos sonhos...

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

domingo, 16 de junho de 2019

Sufoco

Engulo um sufoco, finjo sorrir
e faço ouvido mouco
àquilo que estou a sentir.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Cultura

Cultura, são as vivências de um povo.
Cultura, são as ancestralidades.
Cultura, são as experiências
e por vezes as vaidades.

Cultura, são as palavras eruditas.
Cultura, são também as palavras simples.
E a língua em que são ditas.

Cultura, são as cores de uma nação.
Cultura, são as flores, frutas e legumes
plantados com a própria mão.

Cultura, são os pratos cozinhados
Cultura, são os temperos preparados.
Cultura, são os costumes populares,
as festas, a doçaria, os fados.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

A poucos palmos do chão - de Miguel Almeida


Queridos leitores e amigos da Rainha, já terminei de ler o livro "A poucos palmos do chão" de Miguel Almeida e tal como vos prometi, vou falar-vos acerca do mesmo. 

Sim, eu sei que demorei um pouco a lê-lo, mas a falta de tempo e de disposição fez-me colocar outro ritmo na leitura, pouco comum a meu ver, mas que apesar disso não me fez desistir. E valeu a pena persistir na leitura porque esta remeteu-me para um lugar do meu imaginário por várias semanas na qual não me arrependo nem um segundo sequer.

Não sei exactamente se a história é ficcional ou não, mas enquanto a lia verifiquei tamanho humanismo nas personagens que fiquei na dúvida se aquelas pessoas existem ou existiram realmente. E mesmo que se trate apenas de ficcção, gosto de imaginar aquela aldeia e as suas gentes como se fossem reais.

E de certa forma, são. Quem é que não conhece um Sr. Alfredinho, dono de um estabelecimento qualquer, numa aldeia no interior do País? E quem é que não se recorda de ver gaiatos correrem rua abaixo a jogar à bola ou à apanhada como se via antigamente? E alguém faz ouvidos moucos ao "diz que disse" de uma aldeia, que vive dos boatos e atrás das novidades antes de existir televisão? Ninguém. Pelo menos, ninguém nascido antes dos anos 80. E os imigrantes franceses que voltavam à aldeia, para construírem as suas casas depois de anos de trabalho no estrangeiro? Parece-te familiar? A mim também. 

"A poucos palmos do chão" é em suma, a visão de uma criança sobre a aldeia em que vive e sobre as suas gentes. As suas dificuldades enquanto criança e o aprendizado advindo das diversas situações e peripécias. É fácil sentirmos alguma identificação com as personagens. De certa forma, era a vida de muitos Portugueses das aldeias do interior. Além disso, este livro também nos fala de assuntos sérios, tais como vida e morte, amizade e amor, alegrias e tristezas da vida, de tantas vidas cruzadas num único lugar.

Se ainda não conhece este livro, recomendo que o leia. Talvez o remeta para as suas próprias recordações de infância, tal como aconteceu comigo.

domingo, 2 de junho de 2019

Quando parte um amigo...


Queridos leitores e amigos da Rainha, hoje recebi uma notícia desagradável. Soube que um amigo, partiu. O que se faz quando um amigo parte sem nos avisar? O que se faz quando um amigo parte quando sabemos que ainda é cedo? Nada. E por isso, apenas o silêncio prevaleceu nos momentos a seguir à triste notícia. 

António Castro era Escritor, como eu. Conheci-o em Lisboa numa apresentação de um dos seus livros. E pelas conversas que tivemos dentro e fora do facebook, mostrou-se sempre como uma pessoa exemplar. Amante das artes e letras, era uma referência para mim. Hoje partiu, para sempre...

Como ele diria, "Ao futuro!" Adeus meu amigo! Até sempre.