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sábado, 24 de novembro de 2012

Recordações

Hoje tive a surpresa de encontrar uma daquelas pessoas que marcaram a minha vontade de escrever quando ainda andava na escola. Encontrei uma das minhas professoras de Língua Portuguesa, a Paula Simões, conhecida na escola como "a chinesinha" devido à fisionomia oriental. Paula é uma pessoa dinâmica, alegre, parece feliz, e nota-se que gosta do que faz. Já não a via há muitos anos. Há pelo menos vinte. Perguntou-me sobre o meu percurso profissional. Falei-lhe da minha escrita, do meu blogue e do meu livro. Aquele que está prestes a sair, embora com um "parto" difícil, pois tem apenas três meses de conhecimento geral, embora tenha sido concebido ao longo de quinze anos.
Depois da conversa que tivemos, o meu coração envolveu-se numa dança de soluços que pareciam não ter fim. A saudade era imensa. Um luto que nunca fiz pois, achava que seria sempre pequenina. Afinal cresci, não vi o tempo passar. E a saudade corrói todo o meu ser numa mistura de dor e prazer.
Mas é tão bom recordar! E chegando a casa vasculhei todas as gavetas onde ainda guardo essas fotografias perdidas no tempo. Fotografias de outro tempo. Procurei uma onde Paula Simões se encontra, mas não encontrei. Com o tempo as coisas perdem-se. Mas as memórias não se perdem. Essas ficam cá dentro e culminam com o dom da lágrima. Uma lágrima saudosa que ilumina todo o meu ser.
É tão bom recordar! Quando as memórias que temos são as melhores, é difícil acordar desse estado de êxtase mental. A vontade de permanecer assim é infinita. Gostava de lá voltar nem que fosse apenas por alguns segundos. Gostava de voltar a ouvir o som característico daquela sala de aula. O lindo som da campainha da entrada. Aquela que anunciava o contacto com o saber. Aquele cheirinho fantástico dos Manuais acabadinhos de comprar. O vasculhar dos materiais nas mochilas. Os fechos das mesmas a abrir e a fechar. A voz da professora a fazer a chamada e o som inconfundível do giz no quadro preto. No sumário escrevia: "Composição". E eu pegava numa folha de papel vazia do meu dossier cor-de-rosa e começava a escrever. O silêncio pairava no ar. Por vezes interrompido pelo burburinho dos mais faladores que não aguentavam aquele silêncio constrangedor. E que bendito silêncio. Para mim era do que de melhor havia naquela escola habitualmente barulhenta.
São apenas recordações. São apenas saudade. Mas são também memórias que me marcaram e que me fizeram ser o que sou hoje.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

A simplicidade de uma flor

-Uma flor que se preze
aguenta seja o que for!-
-dizem as demais,
que tanto faz, menos sol ou mais calor.

A simples flor apenas suspira
e desiste de se explicar
pois, o que dizem não é verdade.
O que lhe dizem só seve para a sufocar.

Então a pequena flor
decide fazer-se surda
e procura uma fonte de água
que a possa curar.

E descobre que dentro de si
existe um enorme mar.
E na simplicidade de existir
é assim que pretende ficar.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Nossos antigos navegadores.

Nossos antigos navegadores
outrora lutando por nós
saíram do cais do Tejo
no tempo de nossos trisavós.

Navegaram por esses mundos
tão diferentes e distantes.
Passaram tormentas,
ventos e gigantes

Muitos morreram
mas batalharam.
Muitos sofreram
e regressaram.

Ergueram as mão
e a vida abraçaram,
a boa esperança
atravessaram.

Como eles outrora
com dificuldades e reveses
nós também agora
travamos uma luta quais hereges.

Se eles conseguiram
porque não nós aqui,
respeitando a memória
de tantos que daqui partiram?

Eu respeito, e arrisco.
Sim! Eu prezo o que descobriram.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Eu vou vencer!

Num momento inoportuno
desta vida desgraçada
disseste que não podia
que não podia fazer nada.

Mas eu te desafio
e a mim também.
Vamos ver qual de nós
a cabeça sustém.

E eu vou vencer!
E quando isso acontecer,
sou eu e mais ninguém.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Náuseas - Pequeno desabafo.

Náuseas. É isso que eu sinto quando não me encaixo num lugar. Toda a minha vida luto por algo melhor. Algo onde possa mostrar o que realmente sou. Algo onde possa mostrar aquilo que sou capaz. Algo que me preencha. Algo que me faça ter motivação suficiente para dar o melhor de mim. Assim, quando sou solicitada para algo que não me identifico, sinto arrepios. As náuseas apoderam-se de todo o meu corpo. Este, desajeitadamente, tenta em vão dar o seu melhor. Em vão. Pois, a angústia está lá e sufoca-me. Não me deixa respirar!

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Não me puxes para trás

Não me puxes para trás
quando eu quero ir para a frente
vais ver que quando lá chegar
vai ser tudo diferente.

Não me puxes para trás
o caminho é por ali
ao sucesso vou chegar
se não ficar por aqui.

Não me puxes para trás
já vejo o futuro que anseio
Se ninguém me impedir
vou chegar lá primeiro.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Segura a minha mão

Segura a minha mão
faz-me sonhar.
Não me deixes cair
deixa-me apenas adormecer,
para me esquecer
e em teus braços acordar.

Segura a minha mão
acredito em ti!
Com esta confiança
e com esta paz, adormeci.

Segura a minha mão
diz-me que vai correr bem.
Segura deveras meu coração,
não me deixes cair
e eu não te deixo também.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

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