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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Vida de Coruja

Quando sofremos de insónias não podemos contentar-nos com uma vida dita normal. Por vezes temos de nos adaptar às mudanças que o nosso corpo refila para conseguirmos viver com pelo menos o mínimo de saúde. Acontece que ao ficar acordada noites seguidas, o desejo de descansar de dia é imenso. Aos olhos dos outros, o que parece uma boa dose de preguiça, é na realidade o impacto que esta doença tem na saúde de quem sofre. Nunca pensei que um dia sofreria disto, mas de certa forma acho que os meus maus hábitos de sono intensificaram o problema fazendo com que me sinta incapaz de viver de outra forma. É incrível aquilo que nos passa pela cabeça à noite. As insónias estão muito ligadas à parte criativa, por isso aproveito para fazer o que mais gosto que é: Escrever. No entanto sei que a vida social acaba por ficar prejudicada com isso porque deixo de ir a certos lugares porque me custa levantar cedo depois de uma noite inteira sem dormir. Nos empregos sempre tive dificuldade em me adaptar pelo mesmo facto. Onde aguentei mais tempo foi naqueles cujas tarefas teria de executar de tarde, ou à noite. Por vezes brinco com esta situação. Costuma-se dizer: "Se não podes com eles, junta-te a eles". Parece que as insónias venceram a minha vontade de fazer as coisas de forma diferente. E por quê? Porque as insónias são de facto uma doença que tem consequências directas na nossa vida, na nossa família, nos nossos amigos, empregos, tarefas e afins. Há uns tempos para cá achava que era apenas ansiedade. Mas com o tempo fui percebendo que mesmo tranquila, não sou capaz de dormir cedo. Parece que tenho os sonos trocados. Só que, mesmo que um dia não durma e me levante cedo para fazer qualquer tarefa, chega a noite e mais uma vez não consigo dormir. Nem o cansaço do dia me ajuda a dormir melhor. A melhor hora para dormir é de manhã, com o barulho dos vizinhos, com o chilrear dos passarinhos, ou com o latir dos caninos que se encontram nos arredores da minha casa.  E é assim que adormeço. Só depois de vários toques do meu despertador, do rádio a tocar e de alguém a chamar é que acordo para a vida outra vez, sonolenta, com cara de zombie e com vontade de voltar para a cama para satisfazer os desejos do meu corpo. Bem, parece que já desabafei o suficiente. Agora, são horas de descansar, que mais logo tenho mesmo de acordar e sair a caminho das tarefas que me comprometi a fazer. Vamos lá ver se ainda vou a tempo de descansar o esqueleto e mais importante ainda: O intelecto.

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