quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024
Não prometas
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024
Dois irmãos
a despedida do sol.
Timidamente rolou
e no céu se fixou
Foi então que o sol voltou
dizendo adeus à sua irmã
que por um momento bocejou
dizendo de novo até amanhã.
Jovita Capitão, Rainha das Insónias.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024
A Casa das Rosas - de Jovita Capitão
Queridos leitores e amigos da Rainha tenho o maior prazer de anunciar que o meu livro "A casa das Rosas" já é uma realidade. Passaram 13 anos desde que o escrevi e finalmente consegui encontrar uma Editora ( Edições Horus) que atendeu as minhas expectativas. Quero também dizer que o livro já se encontra em pré-venda no site da mesma.
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024
Biblioteca Municipal Afonso Lopes vieira
Queridos leitores e amigos da Rainha, no passado sábado fiz uma breve visita à Biblioteca Municipal de Leiria e descobri que lá dentro existe uma Bebeteca, isto é, um espaço destinado aos bebés e às crianças pequenas. O meu pequenino estava encantado com o espaço e foi tão bom vê-lo a brincar. Havia alguns brinquedos interativos e livros, muitos livros. Aconselho mães e pais a visitar o espaço levando os mais pequenos a descobrir o prazer da leitura.
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024
A insónia desta noite
A lua espreitou. A Janela mal fechada deixou entrar também a luz ténue do candeeiro da rua. Ele adormeceu profundamente ao meu colo e eu após uma longa indecisão pu-lo finalmente na cama ao meu lado. Fiquei imóvel durante algum tempo a pensar nas preocupações do dia a dia. O silêncio invadiu a casa e o meu espírito. O negrume da vida entristeceu-me. Deixei-me levar pelo sofrimento e uma imensa vontade de chorar veio ao de cima. Respirei fundo. Tentei soerguer-me para limpar as lágrimas que já vinham a caminho. Olhei para o rosto do meu filho, iluminado pela ténue luz do candeeiro da rua. Dormia serenamente. Pensei em levantar-me já que a falta de sono estava a incomodar-me. Nem me ergui. Assim que me movi o seu choro inundou todo o espaço. Voltei a pegar nele, embalei-o de novo, coloquei-o na cama e respirei fundo com receio que a minha simples respiração o acordasse. Felizmente o som não foi suficientemente sólido para que tal se concretizasse. Aliviada, levantei-me devagar. Tapar o estômago pareceu-me a única resposta viável. Fui até à cozinha. Abri a porta do único electrodoméstico que dá acesso ao paraíso. Passei os olhos pelo conteúdo. Iogurtes, um pacote de leite já aberto, sopa, algumas caixas de alimentos com restos de ontem, legumes. Optei por leite quente com café. Sei que não devia ter escolhido a cafeína naquela hora mas a vontade foi mais forte. Agora estou aqui de olhos abertos a escrever o que me vai na alma. E de olhos abertos vou continuar enquanto o sono não vem ou até o meu pequeno acordar de novo para sorver o néctar da vida.
domingo, 11 de fevereiro de 2024
A história da Capuchinho ao contrário
O que é mau é bom.
Nunca se sabe
quando o lobo mau
fica de bom tom.
A Capuchinho ficou má.
Fugiu do lobo.
COITADINHO!...
Tinha tanta fome.
Só queria comer a Capuchinho.
Já que ela não lhe deu troco
foi comer a avozinha.
Esta também não lhe deu troco.
Estava a dormir, coitadinha!
E o caçador, esse desgraçado
que devia proteger a Capuchinho
deitou-se na cama com o lobo
para lhe lamber o pezinho.
Ai os lambe botas e pés!
Desses quero ter distância.
Gente falsa que olha de revés
e que não cumpre aliança.
Rainha das Insónias.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2024
Escrever
Escrevo a qualquer hora do dia.
Não preciso de ter um motivo.
Basta ter vontade e alegria.
A tristeza também pode ser o mote
pela dimensão emotiva que encerra.
Já escrevi coisas sobre a morte
e sobre a vida que existe nela.
Jovita Capitão, Rainha das Insónias.
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024
Eclipse do coração
pode dar-se um eclipse.
E puf, a lua desaparece.
Certamente foi fazer uma prece.
E as estrelas que fugiram do céu
foram fazer-lhe companhia.
É por isso que tudo é breu.
Jovita Capitão, Rainha das Insónias.
domingo, 4 de fevereiro de 2024
Dois olhares
pela última vez em anos.
Olhares que juntos já haviam sorrido.
Agora distantes, olham-se sem sentido.
Jovita Capitão, Rainha das Insónias.
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024
As mudanças no pós-parto
Queridos leitores, antes de ser mãe não fazia ideia da quantidade de mudanças que iriam acontecer na minha vida. A gravidez já traz um pouco dessas mudanças, mas é no pós-parto que elas são mais evidentes. Sei que cada caso, é um caso. Mas no meu caso posso dizer que tem sido uma espécie de subida à montanha com as mãos cheias de manteiga. Subo de um lado, escorrego do outro. Não tem sido nada fácil gerir esta montanha de tarefas novas.
Já passaram 9 duros meses, mas ainda assim os desafios são diários. Posso dizer que a coisa mais difícil é a privação do sono. Quando não dormimos bem não temos cabeça para nada e quantas vezes dou por mim num cansaço tão extremo que tenho de colocar o bebé a ver bonecos e ir descansar. Ou então, aproveito a sesta do pequeno para ir para o mundo dos sonhos. Nem sempre é possível porque em casa as tarefas crescem como cogumelos. Nessas alturas é preciso fechar os olhos e esquecer a loiça, a roupa ou qualquer outra tarefa domestica para que o foco seja apenas e só dormir um pouco para descansar a cabeça. Nem sempre consigo fazer isso, mas às vezes tenho de me obrigar a tal para conseguir aguentar o resto do dia. A privação do sono é apenas uma das minhas dificuldades. Na realidade, existem muitas mais.
O simples facto de me querer sentar para comer torna-se caótico quando o bebé está acordado. Ele quer atenção, ele quer colo, ele chora, grita e esperneia. Às vezes como ao som dessa sinfonia e engulo os alimentos sem os mastigar bem porque quero comer o mais rápido possível para sair desta situação. E isto acontece em casa, imaginem na rua. Eu tenho evitado sair por causa disto mesmo, além de que na rua nem todos os espaços são próprios para bebés. Os obstáculos que vejo até chegar ao local que quero desanimam-me completamente. Passeios altos, buracos no chão ou ter de fazer desvios para a estrada porque o passeio é pequeno demais ou tem um poste no meio do caminho. Depois chego ao local e tenho uma pequena escada com dois ou três degraus para subir com o carrinho do bebé.
Se fossem só essas as mudanças do pós-parto estava eu bem, mas existem mais. Existem as mudanças pessoais. Aquelas que ninguém nota. Aquelas que só a mãe consegue ver. A mudança de identidade, o não saber quem realmente se é agora. Aconteceu comigo. Aos poucos vou-me reinventando, mas não é fácil.
E os desafios da amamentação? Isso fica para outra postagem que esta já está enorme e vocês têm mais que fazer do que estar aqui a ler as minhas lamentações. Mas claro, acredito que muitas mães já tenham passado pelo mesmo e talvez queiram partilhar aqui as suas próprias mudanças. Fiquem à vontade. Provavelmente temos muito em comum.
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024
A flor
Espalha todas as suas pétalas.
Estas dividem-se instantaneamente.
Voam perdidas sem metas.
Na ilusão de as recuperar
a flor corre em mil direcções.
Mas nenhuma consegue alcançar.
Bastam-lhe, pois, as decepções.
Rainha das Insónias.


