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sábado, 5 de março de 2016

O único produto!

Fui cozinhar arroz
sem saber por quê queimei-me.
A panela nem se moveu,
nem se comoveu.

E eu gritei: "Aleijei-me!"

Impávida e serena
continuou a cozinhar
num estado arrozen
parecia desafiar.

Tentei ignora-la.
E dei-lhe com a tampa.
Esperei uma reacção.
Mas só saiu metade da refeição.

Procurei no frigorífico
algo para complementar.
Nada de jeito tinha
e já não podia ir comprar.

Ficou então o arroz
responsável pelo conduto.
Sozinho na cozedura
Era o único produto.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

sexta-feira, 4 de março de 2016

A sabedoria dos poetas

A sabedoria está com os poetas
que pelas palavras contam histórias
desde as mais belas, às mais discretas.
às engraçadas ou mimosas.

A sabedoria está com os poetas
que desenham a sua arte com os dedos.
Com as palavras, contam segredos
e até situações mais idiotas.

A sabedoria está com os poetas
pois a brincar dizem verdades.
Nem todos têm o dom, nem a arte
de, poetizando, fazer novas amizades.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Cheguei aos trinta

Cheguei aos trinta. E agora? Agora, aguenta! Já não dá para voltar para trás àquele tempo em que a minha mãe me aconchegava o cobertor. Agora, aguenta! Já cresci. Sou a mesma, em ponto maior. Com mais maturidade, mas nem por isso mais adulta. Continuo com os mesmos receios de outrora, porém, enfrentando-os a cada dia. 

O que acontece ao chegares aos trinta? Já não ouves as tuas músicas predilectas, para não incomodar. Já não lês quando te apetece, porque nem tempo tens para isso. Quando tentas escrever, "alguém" interrompe com uma pergunta deste tipo: " O que vamos jantar?" Deixas o paragrafo a meio, desistes da tua ideia e avanças para a cozinha com os pés tão pesados como chumbo. Logo tu, que nunca gostaste de cozinhar. 

Olhas para o espelho e notas as pequenas rugas que tentas a todo o custo esconder com a milagrosa maquilhagem de uma marca que te interessa porque até faz parte de um negócio que abraças-te à algum tempo atrás. 

A ida ao supermercado torna-se na maior tortura de todos os tempos. Com milhares de promoções à vista, com centenas de chocolates que te aliciam. E tu só pensas na balança que tens em casa... "Nada melhor do que fazer uma salada". Pensas tu, porque a realidade é que vai ser outra vez arroz com feijão, por ser mais prático e mais consistente. 

Sobes as escadas devagar, com visível cansaço. O peso dos sacos, mais o peso da mala de mão, mais o peso do teu corpo, fazem-te pensar que precisas de ir para um ginásio ou simplesmente caminhar. E seria óptimo se realmente tivesses tempo para isso. Sabes que a realidade ainda é outra. 

Tens a esperança que o batom melhore a tua auto-estima. Tens a esperança que ainda olhem para ti como se fosses uma menina. Pura desilusão. Passas despercebida na rua, ninguém sabe quem és.

A vida a dois nem sempre é um mar de rosas. A vontade de agradar desaparece, mas a rotina anestesia-te e tudo se repete, dia após dia. Mas apesar de tudo isso, és feliz. Estás é cansada de te anular, parece até que já não te conheces.

A vida começa aos trinta! Ai pois começa. Começa tudo aquilo que nunca pensaste que fosse algum dia acontecer. Começa um novo ciclo difícil de quebrar, mas não impossível de mudar. Está na altura de olhar mais pela saúde, está na altura de reflectir sobre se estás no caminho certo. 

Começa o tempo de te questionares sobre aquilo que realmente interessa. Sabes que estás na " meia idade" como muitos dizem e dás contigo em pânico porque não sabes quanto tempo ainda te resta para fazer tudo aquilo que queres. Dás realmente conta do tempo que perdeste dos 20 aos 30 anos. Tempo esse em que não pensavas tanto no futuro, apenas o momento presente te importava. Sim, é verdade. Eras feliz. 

Volta a pensar outra vez nessa época e traz essa alegria para o momento presente. Só assim vais conseguir mudar o mundo. Não, talvez não consigas mudar o mundo. Mas podes realmente mudar alguma coisa na tua vida. 

Sei que não é fácil fazer trinta anos. Sei que não é fácil mudar depois de uma rotina. Mas sei que é possível continuar a sonhar. Nunca é tarde para decidir fazer tudo diferente, se isso nos der realmente prazer.

Fui... procurar o amor!

Está na hora de parar para pensar.
O que estou realmente a fazer?
Por que não consigo mudar?
O que está prestes a acontecer?

Será que sou eu que resisto à mudança?
Será que no fundo não acho a esperança?
Por que olho ao redor antes de pensar?
Falta olhar ao espelho e observar.

O espelho olha para mim.
Sinto-me incomodada.
Digo: Por que me olhas assim?

A resposta já existe no meu coração.
Não posso passar a vida a dizer sim.
Aquilo que sei tem valor, então...
Por que tenho de me anular
em vez de me amar?

Tenho cá dentro algo melhor.
É isto que tenho de pensar.
E se a dificuldade à porta me esperar?
Digo que fui procurar o amor.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Sobre a poesia



Que a poesia renasça dentro de mim.
Que me leve ao sonho que tanto ambiciono.
Que me eleve a alma num estado mítico.
Que me salvaguarde de qualquer ansiolítico.

Que a poesia seja tanto minha, como tua.
Que a poesia seja a cura para toda a gente.
Que a poesia seja aquilo que eu procuro
Que a poesia me alimente, sempre!

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

A Voz

Conheço essa Voz
que vem lá do fundo.
Que se embriaga
a cada segundo.

Conheço essa Voz
que não me acompanha
que me deixa com medo
de uma simples aranha.

Não é a aranha
que me mete medo
é o facto de eu não saber
o que faz ela em segredo.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

um Domingo Simpático


Hoje, finalmente, o sol deu o ar de sua graça e espreitou um pouco por todo o País. Porém, as temperaturas baixas ainda não deram tréguas e os casacos continuam a fazer parte do "menu" de toda a gente.

À parte de tudo isso, posso dizer que o dia está a ser bem aproveitado, em boa companhia. 

Como está a ser o vosso Domingo?


sábado, 27 de fevereiro de 2016

Uma manhã muito fria

Hoje a manhã acordou fria. E a preguiça tomou conta de mim. Deixei-me levar pelo canto da chuva e pelo ruído que se fazia ouvir lá fora. Deixei-me afundar para um segundo sono onde apenas me recordo de ouvir falar em neve. Sonhei com ela. Muito branca e fofa, fria também. Não parava de tiritar no sonho e provavelmente na realidade. Fui interrompida com uma chuva copiosa na minha janela. Acabei por me levantar. 

Descobri pouco depois que tinha nevado em alguns pontos do País. Serra da Estrela, Serra de Sintra, Serra de Monchique... gosto de neve, mas não gosto de sentir frio. Estou tão gelada que até me custa a escrever! Mas mesmo assim não resisti a escrever sobre o fascínio que tenho cada vez que vejo uma foto com esta linda paisagem, onde montanhas estão cobertas de neve.

Dizem que este fim-de-semana vai permanecer assim, devido a uma corrente de ar frio. Segunda-feira o tempo melhora para dar lugar ao sol. Também é preciso. 

E vocês? Gostam de neve? Ou preferem o sol?

domingo, 21 de fevereiro de 2016

A exposição


Queridos leitores e amigos da Rainha, ontem, um dos pontos altos do meu dia foi esta exposição. Tive a oportunidade de rever o meu amigo Jorge Nuno, que assim como eu, também está ligado às Artes.

Com dois quadros lindíssimos, de Jorge Nuno, entre outras obras de igual forma interessantes, convido toda a gente a ir visitar o Centro de Exposições de Almada.

Mais abaixo estão apenas algumas recordações deste dia.









O meu Café


Queridos leitores e amigos da Rainha, hoje decidi mostrarmos esta foto que condiz com o amor que tenho ao café. 

Estava eu sentada numa esplanada de mobiliário escuro, quando pedi ao empregado de mesa um café. Seria apenas mais um, se não visse reluzir ao longe esta bonita chávena de porcelana, tão branca, que fazia contraste com a mesa, tão escura.

Não resisti e mesmo com o telemóvel disparei esta bela fotografia. Digam lá de vossa justiça, o que acham desta imagem. Que sentimentos vos invadem?



terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Arte e Cultura em Almada



Queridos leitores e amigos da Rainha, Arte e Cultura não falta aqui no blogue, por isso venho anunciar que entre dia 20 de Fevereiro e 6 de Março, vamos ter a festa das Artes, na Sociedade de Artes e Letras de Almada ( SCALA).

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Poetas da Gandaia - Um livro de Poetas, como eu.







Mais um ano - Excerto de qualquer coisa

Há um olhar diferente sempre que passa mais um ano. 

Há uma carga cada vez que passa por mim mais uma Primavera. Por cada Inverno conheço o fel da vida, tal como o favo de mel que se esconde nos sentidos. A cada ano, vejo as folhas da vida cair no esquecimento, dando espaço às finas linhas que compõem o meu rosto. Há um olhar diferente cada vez que me olho ao espelho. Não sei que expressão utilizar. Fico imóvel, apenas à espera que a vida volte um pouco no tempo. Talvez à espera que um pequeno milagre se mostre interessado em mim. Passo a mão nos cabelos já finos, passo a mão na pele cansada, sinto que já não sou a mesma. Porém, sei que a mesma sou. A consciência ainda não foi embora.

Marco no meu caderno mais uma data. Fixo o olhar no espelho aguardando a mudança que não acontece. Pergunto o por quê da minha existência e o por quê de ter de ser assim. Perdida em numerosos pensamentos, nem me apercebo que já escureceu. Olho lá para fora, a neblina que me devora é a mesma que me consola. Debruço-me na janela fechada. Num ápice abro-a de par em par para reflectir sobre a vida.

Sonhos! Penso que os sonhos demoram a chegar. Estão perto, mas longe do meu olhar. Mais um pouco de esperança move-me naquela direcção. Mas de um momento para o outro, com a bruma se esfumarão.

Suspiro, sozinha no meu quarto. Sei saber qual será o próximo passo. Vale a pena acreditar nas pessoas? Vale a pena o esforço, se o sentimento anda vazio? Valerá a pena ser algo que não eu, para no final das contas sofrer sozinha na lei do abandono? 

As lágrimas caem de forma veloz. Às vezes parece que estamos sós! 

( Excerto de qualquer coisa. Talvez isto, um dia saia da gaveta e faça sentido num livro)