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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Vida.

A vida leva-nos para campos estranhos,
para grandes e pequenos engenhos,
a fim de nos ensinar.

Aprendemos em cada passo que damos,
em cada dia que vamos,
em cada momento que decidimos avançar.

Vivendo a vida ao máximo,
sintonizamos cada passo
consoante as necessidades.

Viver é para todos,
independentemente dos engodos,
mas saber viver é apenas para alguns.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Enfrentar o Mostrengo

Quanto mais me conheço
mais me surpreendo.
Sei que vou sem medo
mesmo que encontre o mostrengo.

Nada mais me apavora.
Nada mais me faz moça.
Vou lutar por nós
até que mais não possa.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Chega de lamúrias.

Chega de lamúrias
de desculpas descabidas.
Chega de torturas
e de pálpebras caídas.

Chega de confusão
e de lamento.
Chega de discussão,
o que interessa é o sentimento.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Acreditar até ao fim!

Posso perder uma batalha
e chorar de raiva por não conseguir.
Mas a guerra não está terminada,
por isso tenho de prosseguir.

Não deixo que o tempo leve
aquilo que mais valor tem.
Não desisto de mim, de ti
Nem de ninguém.

Está na hora de levantar
a cabeça e os braços aos céus.
Agradecer a vida e o amor
pelos meus.

Não sei onde encontro forças
quando só eu vejo a solução.
Acreditar a té ao fim!
Essa é a minha missão!

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Não Desisto de ti!

Não sou de desistir dos meus sonhos.
Não acho correcto esquece-los.
Quem sonha, acredita e luta,
mesmo que não venha a vivê-los.

Não penses que desisto
antes de alcançar a meta.
Não sou tão prática assim.
Sou poeta.

E a poesia que me faz sonhar
é a mesma que me faz lutar.

Não desisto de ti!
Esquece os problemas,
vence os obstáculos
sem lamentações.

As expectativas frustradas
são meras invenções
de quem faz das fraquezas
as soluções.

Não! Eu não desisto de quem amo
Não desisto de quem um dia me fez feliz.
Não desisto tão facilmente!
Ainda sou dona do meu nariz!

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

domingo, 28 de julho de 2013

Reflexão de hoje.

As mudanças exteriores, espelham as interiores.

Jovita Capitão.

O vazio.

Apenas o vazio ficou.
O silêncio na Avenida.
O meu coração se fechou.
e criou-se uma ferida.
E com ela, por defeito,
veio uma rima perdida.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Nada mais importa, agora.

A luta contra o tempo.
O vento, o frio e o vazio.
Nada importa agora.

A incerteza, a distância...
que desapareçam sem demora.

Nada mais importa agora.
Só o meu coração chora,
aberto ao meio com uma cicatriz.

Não sei se as lágrimas que verto
merecem tal desconforto.
Tal prisão e desgosto.

Calo-me. Esqueço. Atravesso o deserto.
Enlouqueço. Estremeço. Será que mereço?

Mas nada mais importa agora.
Só o silêncio fica.
Que a verdade venha sem demora!

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

sábado, 27 de julho de 2013

Campos Opostos

Dizem que os opostos atraem-se.
Que os mundos diferentes se tocam.
Que as almas se completam
E que no amor se focam.

- É verdade! - Dizem eles.
E digo eu também.
mas para se amar alguém
não se pode dar ouvidos
a quem não os tem.

Os opostos atraem-se
mas há que saber lutar.
Pois, quem não luta, não ama.
E quem não ama, não quer tentar,
seja o oposto ou do mesmo lugar.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Coração sem sossego

Meu estômago revolveu-se
numa fúria de meter medo.
Minha mente sofredora
já nem tem sossego.

Meu coração bateu tanto
que nem deu para perceber
se bateu por ter de ser
ou se foi de pranto.

Também, não tanto...

Mas, bem cá dentro
a revolução dos sentimentos
faz-me mais atenta aos batimentos.

Oh coração, pára de bater
dessa triste maneira!
Senão vão pensar que é brincadeira
aquilo que eu estou a escrever!

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Incompreensão

Sinto-me alheada do mundo
pela inadaptação ao presente
porém, estou deveras consciente
que estou quase lá no fundo.

Quisera eu usufruir
de um sonho artístico.
Mas que faço eu no porvir
se neste lugar meio místico
de mim se estão a rir?

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Biografia de Cesário Verde

Fotografia de Cesário Verde
( imagem da internet)
Cesário Verde foi um dos maiores Poetas Portugueses, porém findou-se muito cedo, com apenas 31 anos de idade. Nasceu em Lisboa em 1855 e a sua vida foi preenchida pela agricultura, pelo comércio e pela poesia. Em 1873, iniciou o Curso Superior de Letras mas rapidamente o abandonou prosseguindo como Correspondente Comercial. Ao mesmo tempo, Cesário Verde escrevia poesia para o Diário de Notícias perante a crítica mordaz de intelectuais influentes da época, tais como Ramalho Ortigão e Teófilo Braga. Em 1874, o poeta projectou a publicação de um livro de poemas, projecto esse que não se concretizou.
Cesário foi um poeta incompreendido, ignorado e muito criticado no meio literário Português. Mas isso não o impediu de escrever toda a sua vida. Escreveu para amigos, conhecidos e artistas até falecer em 1886, com tuberculose.
Cesário Verde, como muitos Escritores e Poetas daquela época, só foi reconhecido após a sua morte. O reconhecimento deu-se em 1887, pelo seu grande amigo Silva Pinto. Nessa data foi publicado o que viria a ser o primeiro volume de poemas de Cesário, cujo título é: "O livro de Cesário Verde". O que sobrou inédito, acabou por perder-se para sempre num incêndio que lhe devorou a casa em 1919. 
A importância de Cesário Verde reflete-se na poesia actual. Cesário, foi um dos iniciadores da poesia moderna. A sua poesia trata de pessoas do campo ou da cidade, das coisas humildes, de coisas simples, de coisas do quotidiano e critica os meios intelectuais da sua época com uma ironia cortante. As principais características da poesia de Cesário são: O realismo, a análise, a ironia e a visão objectiva.
Entre os poemas mais conhecidos estão: Cristalizações, Horas mortas, Deslumbramentos e Contrariedades.

Estátua de Cesário Verde ( imagem da internet)

Contrariedades - Poema de Cesário Verde.

"Eu hoje estou cruel, frenético exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.

Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
E os ângulos agudos.

Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulmões doentes;
sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes
E engoma para fora.

Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve a conta à botica!
Mal ganha para sopas...

O obstáculo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,
Por causa dum jornal me rejeitar, há dias,
Um folhetim de versos.

Que mau humor! Rasguei uma epopeia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais uma redação, das que elogiam tudo,
Me tem fechado a porta.

A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A imprensa
Vale um desdém solene.

Com raras excepções, merece o epigrama.
Deu meia-noite; e em paz pela calçada abaixo,
Soluça um sol-e-dó. Chuvisca. O populacho
Diverte-se na lama.

Eu nunca dediquei poemas às fortunas.
Mas sim, por deficiência, a amigos ou artistas.
Independente! Só por isso os jornalistas
Me negam as colunas.

Receiam que o assinante ingénuo os abandone.
Se forem publicar tais coisas, tais autores.
Arte? Não lhes convém, visto que os seus leitores
Deliram por Zaccone.

Um prosador qualquer desfruta fama honrosa,
Obtém dinheiro, arranja a sua coterie.
E a mim, não há questão que mais me contrarie
Do que escrever em prosa.

A adulação repugna aos sentimentos finos;
Eu raramente falo aos nossos literatos.
E apuro-me em lançar, originais e exactos,
Os meus alexandrinos...

E a tísica? Fechada, e com o ferro aceso!
Ignora que a asfixia a combustão das brasas.
Não foge do estendal que lhe humedece as casas,
E fina-se ao desprezo!

Mantém-se a chá e pão! Antes entrar na cova,
Esvai-se; e todavia à tarde, francamente,
Oiço-a cantarolar uma canção plangente
Duma opereta nova!

Perfeitamente. Vou findar sem azedume.
Quem sabe se depois, eu rico e noutros climas.
Conseguirei reler essas antigas rimas.
Impressas em volume?

Nas letras eu conheço um campo de manobras:
Emprega-se a réclame, a intriga, o anúncio, a blague,
E esta poesia pede um editor que pague
Todas as minhas obras.

E estou melhor; passou-me a cólera. E a vizinha?
A pobre engomadeira ir-se-á deitar sem ceia?
Vejo-lhe luz no quarto. Inda trabalha. É feia...
Que mundo! Coitadinha!"

Cesário Verde - Porto, 18 de Março de 1876

Este poema foi retirado do Manual de Língua Portuguesa do 11º Ano, Página Seguinte, Texto Editores.