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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

No tempo de Vasco Santana.

No tempo de Vasco Santana
a vida era muito diferente
ia-se mais cedo para a cama
e a ele ninguém era indiferente.

Os filmes eram a preto e branco
os livros eram poucos mas bons
os brinquedos eram os melhores
e as crianças tinham dons.

No tempo de Vasco Santana
O Pai Tirano estava lá
para dar educação
e mais sabe-se lá

Com o Fado do Estudante
ficou ele marcado
com um passo de gigante
para o seu doutorado.

Já poucos se lembram
do tempo de Vasco Santana
era brilhante no seu tempo,
quando se ia cedo para a cama.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Nevoeiro Serrado

É nevoeiro serrado
e nada vejo.
Sentimento carregado
no silêncio de um fardo.
Longe aquilo que desejo.

No labirinto da tormenta
a angústia fala mais alto.
O som da palavra está mudo
como as pedras do asfalto.

Quero pedir socorro
mas não sei como o fazer.
A quem me hei-de dirigir?
E quem me vai ouvir?

Neste nevoeiro serrado
não vejo vivalma.
Tudo o que me resta
é apenas minha calma
onde sobrevive minha alma.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Estonteado cérebro

Estonteado este cérebro meu
que não sabe para onde vai
E quando sabe se retrai

Estonteado cérebro meu
que anseia descobrir
Sim, deseja agir.

Estonteado cérebro meu
com tanta tontice!
Até parece que voltou à meninice.

Estonteado cérebro meu
quando é que aprendes
que ao destapar o véu
deveras te arrependes?

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Temporal

Tempo, tempo, oh tempo
porque estás tão temporal?
Porque estás tão revoltado
Se ninguém te fez mal?

Encharcas tudo à tua volta
meus cabelos revoltas
que se desfazem em novelos
e tu tem te importas.

E o vento teu aliado
leva para longe
tudo o que apanha.
E tu todo molhado
nem ouves quem te chama.

Tempo, tempo, que mau tempo!
Tens de te portar melhor
e o vento com esse talento
que abrande se faz favor.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Procuro Cantores ou Bandas de música

Boa tarde caros leitores.

Procuro cantores ou bandas de música preferencialmente na zona de Lisboa que precisem de uma compositora para as suas canções. Estou interessada em compor letras para músicas em Português. Quem estiver interessado peço que me contacte.

jovitacapitao85@gmail.com

Cumprimentos,
Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

domingo, 25 de novembro de 2012

Natal

Neste dia frio e cinzento
no aconchego da casa
penso no significado
que esta data fumaça

Aproxima-se o natal
onde se recolhe presentes
nas grandes superfícies
nelas existentes.

Na azáfama corrida
contra o tempo,
são os preparativos
a ideia do momento

Enfeitam-se as ruas,
as janelas das casas.
E o sonho de Natal
parece ganhar asas.

O espírito de amor
e mesmo de alegria
liga toda a família
numa intensa harmonia.

E os amigos também
entram nessa onda
de afeto e compreensão
e ajudam quem menos tem.

Depois vem o peru
ou mesmo o bacalhau
e na ceia é então
celebrado o Natal.

Mas afinal o que é o Natal?
A alguém me sabe responder?
É apenas uma tradição
que teima em se manter.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

sábado, 24 de novembro de 2012

Recordações

Hoje tive a surpresa de encontrar uma daquelas pessoas que marcaram a minha vontade de escrever quando ainda andava na escola. Encontrei uma das minhas professoras de Língua Portuguesa, a Paula Simões, conhecida na escola como "a chinesinha" devido à fisionomia oriental. Paula é uma pessoa dinâmica, alegre, parece feliz, e nota-se que gosta do que faz. Já não a via há muitos anos. Há pelo menos vinte. Perguntou-me sobre o meu percurso profissional. Falei-lhe da minha escrita, do meu blogue e do meu livro. Aquele que está prestes a sair, embora com um "parto" difícil, pois tem apenas três meses de conhecimento geral, embora tenha sido concebido ao longo de quinze anos.
Depois da conversa que tivemos, o meu coração envolveu-se numa dança de soluços que pareciam não ter fim. A saudade era imensa. Um luto que nunca fiz pois, achava que seria sempre pequenina. Afinal cresci, não vi o tempo passar. E a saudade corrói todo o meu ser numa mistura de dor e prazer.
Mas é tão bom recordar! E chegando a casa vasculhei todas as gavetas onde ainda guardo essas fotografias perdidas no tempo. Fotografias de outro tempo. Procurei uma onde Paula Simões se encontra, mas não encontrei. Com o tempo as coisas perdem-se. Mas as memórias não se perdem. Essas ficam cá dentro e culminam com o dom da lágrima. Uma lágrima saudosa que ilumina todo o meu ser.
É tão bom recordar! Quando as memórias que temos são as melhores, é difícil acordar desse estado de êxtase mental. A vontade de permanecer assim é infinita. Gostava de lá voltar nem que fosse apenas por alguns segundos. Gostava de voltar a ouvir o som característico daquela sala de aula. O lindo som da campainha da entrada. Aquela que anunciava o contacto com o saber. Aquele cheirinho fantástico dos Manuais acabadinhos de comprar. O vasculhar dos materiais nas mochilas. Os fechos das mesmas a abrir e a fechar. A voz da professora a fazer a chamada e o som inconfundível do giz no quadro preto. No sumário escrevia: "Composição". E eu pegava numa folha de papel vazia do meu dossier cor-de-rosa e começava a escrever. O silêncio pairava no ar. Por vezes interrompido pelo burburinho dos mais faladores que não aguentavam aquele silêncio constrangedor. E que bendito silêncio. Para mim era do que de melhor havia naquela escola habitualmente barulhenta.
São apenas recordações. São apenas saudade. Mas são também memórias que me marcaram e que me fizeram ser o que sou hoje.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

A simplicidade de uma flor

-Uma flor que se preze
aguenta seja o que for!-
-dizem as demais,
que tanto faz, menos sol ou mais calor.

A simples flor apenas suspira
e desiste de se explicar
pois, o que dizem não é verdade.
O que lhe dizem só seve para a sufocar.

Então a pequena flor
decide fazer-se surda
e procura uma fonte de água
que a possa curar.

E descobre que dentro de si
existe um enorme mar.
E na simplicidade de existir
é assim que pretende ficar.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Nossos antigos navegadores.

Nossos antigos navegadores
outrora lutando por nós
saíram do cais do Tejo
no tempo de nossos trisavós.

Navegaram por esses mundos
tão diferentes e distantes.
Passaram tormentas,
ventos e gigantes

Muitos morreram
mas batalharam.
Muitos sofreram
e regressaram.

Ergueram as mão
e a vida abraçaram,
a boa esperança
atravessaram.

Como eles outrora
com dificuldades e reveses
nós também agora
travamos uma luta quais hereges.

Se eles conseguiram
porque não nós aqui,
respeitando a memória
de tantos que daqui partiram?

Eu respeito, e arrisco.
Sim! Eu prezo o que descobriram.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Eu vou vencer!

Num momento inoportuno
desta vida desgraçada
disseste que não podia
que não podia fazer nada.

Mas eu te desafio
e a mim também.
Vamos ver qual de nós
a cabeça sustém.

E eu vou vencer!
E quando isso acontecer,
sou eu e mais ninguém.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Náuseas - Pequeno desabafo.

Náuseas. É isso que eu sinto quando não me encaixo num lugar. Toda a minha vida luto por algo melhor. Algo onde possa mostrar o que realmente sou. Algo onde possa mostrar aquilo que sou capaz. Algo que me preencha. Algo que me faça ter motivação suficiente para dar o melhor de mim. Assim, quando sou solicitada para algo que não me identifico, sinto arrepios. As náuseas apoderam-se de todo o meu corpo. Este, desajeitadamente, tenta em vão dar o seu melhor. Em vão. Pois, a angústia está lá e sufoca-me. Não me deixa respirar!

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Não me puxes para trás

Não me puxes para trás
quando eu quero ir para a frente
vais ver que quando lá chegar
vai ser tudo diferente.

Não me puxes para trás
o caminho é por ali
ao sucesso vou chegar
se não ficar por aqui.

Não me puxes para trás
já vejo o futuro que anseio
Se ninguém me impedir
vou chegar lá primeiro.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

Segura a minha mão

Segura a minha mão
faz-me sonhar.
Não me deixes cair
deixa-me apenas adormecer,
para me esquecer
e em teus braços acordar.

Segura a minha mão
acredito em ti!
Com esta confiança
e com esta paz, adormeci.

Segura a minha mão
diz-me que vai correr bem.
Segura deveras meu coração,
não me deixes cair
e eu não te deixo também.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.