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sexta-feira, 19 de julho de 2019

Mar



Confessei ao mar o que sentia.
Afoito, abraçou-me em sua orla
que rapidamente se desfez em espuma.
E no meio da bruma, repetiu-se a história.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

domingo, 30 de junho de 2019

Vida perdida e achada

Vida,
perdida,
suprimida.
Partidas e chegadas.
Encontros e desencontros
Vidas passadas, presentes, futuras...
Oceano de emoções, más e boas.
Mentes abertas ou fechadas.
Pessoas que sofrem caladas
ou que sorriem maravilhadas.

Vida,
achada,
recuperada,
ou manchada
pelas partidas dos outros,
ou pelas próprias mudanças.
Muitos há que perdem as esperanças.
Mas ninguém sabe quando nestas andanças
encontra o trevo de quatro folhas que procura.
Quando o encontrar, a vida, finalmente, terá cura.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

sábado, 29 de junho de 2019

Vida normal - reflexão.

O que há de extraordinário
numa vida completamente normal?
Talvez o obituário dos nossos sonhos...

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

domingo, 16 de junho de 2019

Sufoco

Engulo um sufoco, finjo sorrir
e faço ouvido mouco
àquilo que estou a sentir.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Cultura

Cultura, são as vivências de um povo.
Cultura, são as ancestralidades.
Cultura, são as experiências
e por vezes as vaidades.

Cultura, são as palavras eruditas.
Cultura, são também as palavras simples.
E a língua em que são ditas.

Cultura, são as cores de uma nação.
Cultura, são as flores, frutas e legumes
plantados com a própria mão.

Cultura, são os pratos cozinhados
Cultura, são os temperos preparados.
Cultura, são os costumes populares,
as festas, a doçaria, os fados.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

A poucos palmos do chão - de Miguel Almeida


Queridos leitores e amigos da Rainha, já terminei de ler o livro "A poucos palmos do chão" de Miguel Almeida e tal como vos prometi, vou falar-vos acerca do mesmo. 

Sim, eu sei que demorei um pouco a lê-lo, mas a falta de tempo e de disposição fez-me colocar outro ritmo na leitura, pouco comum a meu ver, mas que apesar disso não me fez desistir. E valeu a pena persistir na leitura porque esta remeteu-me para um lugar do meu imaginário por várias semanas na qual não me arrependo nem um segundo sequer.

Não sei exactamente se a história é ficcional ou não, mas enquanto a lia verifiquei tamanho humanismo nas personagens que fiquei na dúvida se aquelas pessoas existem ou existiram realmente. E mesmo que se trate apenas de ficcção, gosto de imaginar aquela aldeia e as suas gentes como se fossem reais.

E de certa forma, são. Quem é que não conhece um Sr. Alfredinho, dono de um estabelecimento qualquer, numa aldeia no interior do País? E quem é que não se recorda de ver gaiatos correrem rua abaixo a jogar à bola ou à apanhada como se via antigamente? E alguém faz ouvidos moucos ao "diz que disse" de uma aldeia, que vive dos boatos e atrás das novidades antes de existir televisão? Ninguém. Pelo menos, ninguém nascido antes dos anos 80. E os imigrantes franceses que voltavam à aldeia, para construírem as suas casas depois de anos de trabalho no estrangeiro? Parece-te familiar? A mim também. 

"A poucos palmos do chão" é em suma, a visão de uma criança sobre a aldeia em que vive e sobre as suas gentes. As suas dificuldades enquanto criança e o aprendizado advindo das diversas situações e peripécias. É fácil sentirmos alguma identificação com as personagens. De certa forma, era a vida de muitos Portugueses das aldeias do interior. Além disso, este livro também nos fala de assuntos sérios, tais como vida e morte, amizade e amor, alegrias e tristezas da vida, de tantas vidas cruzadas num único lugar.

Se ainda não conhece este livro, recomendo que o leia. Talvez o remeta para as suas próprias recordações de infância, tal como aconteceu comigo.

domingo, 2 de junho de 2019

Quando parte um amigo...


Queridos leitores e amigos da Rainha, hoje recebi uma notícia desagradável. Soube que um amigo, partiu. O que se faz quando um amigo parte sem nos avisar? O que se faz quando um amigo parte quando sabemos que ainda é cedo? Nada. E por isso, apenas o silêncio prevaleceu nos momentos a seguir à triste notícia. 

António Castro era Escritor, como eu. Conheci-o em Lisboa numa apresentação de um dos seus livros. E pelas conversas que tivemos dentro e fora do facebook, mostrou-se sempre como uma pessoa exemplar. Amante das artes e letras, era uma referência para mim. Hoje partiu, para sempre...

Como ele diria, "Ao futuro!" Adeus meu amigo! Até sempre.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

E o fim de semana... começa agora!


Queridos leitores e amigos da Rainha, desejo-vos um fim-de-semana pleno, cheio de energia, mas também de serenidade. Que este, sirva para colocar as ideias no lugar! 

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Desafio superado

Nem sempre precisamos de plateia. Momentos há em que o valor daquilo que fazemos não está nas selfies que tiramos. Nem toda a gente precisa de saber o que nos acontece. E dizem por aí que as melhores coisas da vida ocorrem quando estamos offline. É verdade. Há coisas que devemos guardar para nós, porque são demasiado especiais. E são essas coisas que nos fazem sorrir do nada, quando estamos a fazer outra coisa qualquer. Hoje foi um dia assim. Sinto-me serena e ainda mais confiante no caminho que escolhi. Estou disposta a deixar os receios de lado e fazer com que esta fase da minha vida tenha um significado positivo. Desafio superado. Venha o próximo! :)

terça-feira, 28 de maio de 2019

Às vezes...

Às vezes a vida dá voltas inteiras
para parar no mesmo lugar.
Outras vezes as voltas são meias
e a vida muda de forma, e nós o pensar.

Às vezes a vida que tínhamos
já não volta a ser o que era.
Os ventos levam-nos para lá do mar.
E o tempo já não espera
que possamos voltar...

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

A caneta foi para o lixo

A caneta foi para o lixo,
pois impediu-me de escrever.
E se fosse só por isso...
Não precisaria de o dizer.

A caneta foi para o lixo,
pois ficou muda de tinta.
E se fosse só por isso
Não precisaria de outra, limpa.

A caneta que foi para o lixo
já a tinha há muito tempo.
E se fosse só por isso...
Não valeria o sofrimento.

A caneta foi para o lixo.
Mexeu com o meu sistema nervoso.
E se fosse só por isso...
Não precisaria de algo novo.

A caneta foi para o lixo,
pois já tinha os dias contados.
Hoje, já não falo mais sobre isto!
Os motivos eram variados.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Desistir

Já pensei em desistir.
Baixar os braços,
deixar-me dormir,
esquecer os embaraços
escapulir-me em pedaços
desaparecer, fugir...

Mas depois pensei que talvez,
seja apenas o meu medo a falar.
Pois, talvez o mundo
não ande realmente a conspirar.

Já pensei em desistir.
Baixar os braços,
deixar-me dormir.
Mas enquanto a escrita me alimentar,
o meu sonho continuará a existir.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.

terça-feira, 21 de maio de 2019

A oportunidade

Ainda há espaço para sonhar
mesmo que o tempo urja.
A vontade de sair do lugar
faz com que a oportunidade surja.

E é extasiada que percebo
que a arte ainda faz parte de mim.
E às palavras arranco o que sou
e o que me faz ser assim.

Jovita Capitão, Rainha das Insónias.